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Sabe um cara descabelado qualquer que você cruza na rua?
eu sou ele…
Sou os olhos escuros que trocou alguns segundos com os seus em uma esquina distante…
Sou aquele de barba que atravessava o farol cantando em silêncio as músicas que saltam dos fones e que não saem dos sonhos…
Ou aquele que tentava ler no ônibus cambaleante que te traz de volta do serviço…
Ou, ainda, aquele que atendeu o telefone quando você discou o número errado…
Sou aquele que ficou no elevador mais alguns andares…
Quem sabe, aquele que passou com o violão pelo gramado verde naquele domingo na redenção…
Mas principalmente, sou aquele em que você tropeçou e que te pediu desculpas…
em constante (des)construção
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