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antigo perfil do orkut

.

Sabe um cara descabelado qualquer que você cruza na rua?
eu sou ele…
Sou os olhos escuros que trocou alguns segundos com os seus em uma esquina distante…
Sou aquele de barba que atravessava o farol cantando em silêncio as músicas que saltam dos fones e que não saem dos sonhos…
Ou aquele que tentava ler no ônibus cambaleante que te traz de volta do serviço…
Ou, ainda, aquele que atendeu o telefone quando você discou o número errado…
Sou aquele que ficou no elevador mais alguns andares…
Quem sabe, aquele que passou com o violão pelo gramado verde naquele domingo na redenção…

Mas principalmente, sou aquele em que você tropeçou e que te pediu desculpas…

em constante (des)construção

.


o som sem fim da madrugada que nasce
as luzes, enfim, não mais do sol que arde

um filme em preto-e-branco passa
o tempo teme a aurora vermelha e amarela

correndo atrás de tigres na selva
atrás do teu trompete
trocando lágrimas aos olhos de anjos
traz latência na sala de espera,
última lástima antes da saliência

o corredor estreito
de quadros eleitos pelos teus vermelhos pulsos
construído sobre o chão xadrez em preto e branco
mostra a entrada que transforma a tua chave

enquanto o nunca é uma estrada muito longa para eu percorrer
o céu não pode esperar
para sempre


ele tocava piano
como jamais tocaria alguém
ela só
aceitaria flores no dia
do seu casamento, ou de seu funeral

.

” infinito
é ser incapaz
de contar “

a ópera a perder-se no rádio
e o tráfego atrapalhando o entregador
antes da fruta, a garantia da beleza

compôs o ápice em teclas brancas e pretas
para trocar pelo veludo vermelho acima dos espinhos
teus olhos

.

a taça quente de café na praia
era fevereiro na áfrica
e, afinal,
as partituras encontrariam as pétalas

de férias

i’ll be in the road
where he won’t…

anyhow
when i’m not around
you better to stick together

de todas as cadeiras da sala
sentava na almofada, ao chão de balanço
a luz atrás do relógio


“  quando saires de casa
cuide para não deixar
os pés descalços  ”


com os lábios unidos
simula timidez
como que beijando a própria boca
pelo elogio do silêncio

“  quando saíres de casa
cuide para não deixar
os pés descalços de casacos  ”


roía as unhas
desnudando do esmalte
arranhava os dedos
no muro de pedras sem curvas
rolava pela parede
a pele perdida

“  quando saíres de casa
cuide para não deixar
os pés descalços de casacos e estranhos  ”

os anjos querem passar
teu rímel em seus olhos
e tirar
os óculos do rosto

“  quando saíres de casa
cuide para não deixar
os pés descalços de casacos e estranhos 
leve a chave também  “

o silêncio cai dos teus olhos

a noite dos teus ruídos vem

em oito


levo na pele

a tua calma de primavera

nas flores que voltam e

cobrem de cores o gramado


secreto

o tempo espera

passar

o pó

pode apoderar-se dos móveis


e eu

solicito a rosa que me desfez

para colocar sobre a orelha

entre os cabelos

com os espinhos

a cortar-me

a nuca

caiu uma gota de sol
e o dia percebeu-se
na presença distraída da noite

o cadarço do allstar esquerdo arrastando
por que temia em amarrar, uma vez sempre desfeito
fingia não querer parar no meio do caminho
(poderia ser perigoso; a rua, os carros, pedestres)

preferia armar amores, esses sim sorrateiros feito buracos em paralelepipedos
como quem sorteia sorrisos em bingo de igreja
procrastinava valores e morais
até a morosidade corroer-se no algodão-doce

atravessou a rua, portanto
na faixa de segurança e na luz vermelha para os carros
mas com os cadarços sobre o esquerdo dispersos no ar
a folgar-lhe o pé

acordar

Testa a dicção com poesia


Seu mal-estar é um desafio

Por moedas

É romeu chegando atrasado

Ou recebendo o recado


O pôr-do-sol perto do seu apartamento

Parece perecer com os prazos

Já deveria estar em casa

Na escrivaninha

À crase, o café expresso

Espesso

Uma xícara e billie holliday
 

O lápis e o papel pautado

Old-fashion guy


Por algumas moedas

Te escrevo um poema


Preciso da madrugada

Para enxergar melhor

Através do cheiro tranqüilo do fumo cereja do meu cachimbo


No escuro, as coisas ficam planas


Pássaros cantam sem interrupção de carros ou sirenes


Até despontar pioneiro

Tão tonto como o primeiro sempre é

O raio da alvorada esgueirando pelas curvas do concreto


A cidade quase é calada

Cálido, sereno aliado da madrugada

Começa o canto manso e típico da retomada


Tão derradeiro quanto o corte causado pelo pisar seco

Do sapato preto no cinza cimento

É ríspido o único momento em que reside o amor proibido

Entre o silêncio contido da noite

E a luz solicita do dia


E dorme assim a estrela boemia

Para nascer a esfera da poesia em trocados caídos dentro de um chapéu

 

 

choose life