Testa a dicção com poesia
Seu mal-estar é um desafio
Por moedas
É romeu chegando atrasado
Ou recebendo o recado
O pôr-do-sol perto do seu apartamento
Parece perecer com os prazos
Já deveria estar em casa
Na escrivaninha
À crase, o café expresso
Espesso
Uma xícara e billie holliday
O lápis e o papel pautado
Old-fashion guy
Por algumas moedas
Te escrevo um poema
Preciso da madrugada
Para enxergar melhor
Através do cheiro tranqüilo do fumo cereja do meu cachimbo
No escuro, as coisas ficam planas
Pássaros cantam sem interrupção de carros ou sirenes
Até despontar pioneiro
Tão tonto como o primeiro sempre é
O raio da alvorada esgueirando pelas curvas do concreto
A cidade quase é calada
Cálido, sereno aliado da madrugada
Começa o canto manso e típico da retomada
Tão derradeiro quanto o corte causado pelo pisar seco
Do sapato preto no cinza cimento
É ríspido o único momento em que reside o amor proibido
Entre o silêncio contido da noite
E a luz solicita do dia
E dorme assim a estrela boemia
Para nascer a esfera da poesia em trocados caídos dentro de um chapéu
é nas horas da noite que, muitas vezes, brotamos, minando poesia.