esvaziei minha vontade de ver-te
saboreando a cada letra algum fio de cabelo, o furo para brinco da orelha
tuas cartas te desenham de volta em meus olhos
é abrir o envelope e meus pulmões
- que, instigados, empurravam a camiseta procurando ar rapidamente para suspender a altitude que tua lembrança me suspende -
paravam
deliciando-se com o cheiro do teu olá na primeira linha
chego nas despedidas sem lembrar-me de qualquer coisa que dissera a carta
não me importa o que andas fazendo
como andam as coisas
por que ruas andas
em tuas letras o tempo pára
e retrocede e pára novamente
requentando memórias como fossem sobras de uma janta
servindo-as almoço de um dia depois
fingindo que a noite não acabou e as velas ainda estão acesas