enquanto caminho contando sílabas
ciladas escorregam sob meu sapato
um sonho sucumbe perante o tropeço
e os versos se perdem em algum momento
no espaço
entre o um-metro-e-setenta-e-nove-centímetros
que meus cabelos percorrem até encostarem no solo
da poesia que costurava em minha cabeça
percebo o leve corte na mão que aparou a queda
da roupa suja que restou
recomponho algumas vírgulas