enquanto acordo contigo
contando teu desejo ao dia que nasce
corto o pão
castigo o queijo com a faca sem fio
e encaro o vazio da xícara que aguarda o fogão esquentar o café
de pé, mas não desperto
cogito um banho frio
ato máximo do desespero na manhã de inverno do sul
afinal, como comandar as pálpebras nesse fiasco
que é cada segunda-feira
o despertador apitando inconsequentemente o fim do sonho de domingo
oficalmente, finda o fim de semana
e o que começa, então?
esse faz-de-conta que se consome em contas no fim do mês
mas consigo um sorriso monossilábico
quando subo os olhos até teu rosto
e escuto teus cílios – em segundos – solucionarem uma série de possibilidades ao deslizarem um caminho que decifrou através do oxigênio
de repente, me lembro
por que
mesmo sem muitas vezes dormir direito
não permaneço sonâmbulo sem decisões